sábado, 24 de outubro de 2026
Política

Como proteger os olhos da exposição ao sol

A exposição excessiva ao sol pode afetar a córnea, o cristalino e outras estruturas dos olhos. Saiba como escolher óculos de sol, proteger crianças e reconhecer sinais que exigem avaliação oftalmológica.

Aprender como proteger os olhos da exposição ao sol é importante para preservar a visão e evitar irritações, queimaduras na córnea e problemas que podem surgir após anos de contato excessivo com a radiação ultravioleta (UV). A proteção deve fazer parte da rotina durante atividades ao ar livre, mesmo quando o céu está nublado.

A radiação ultravioleta não pode ser vista nem sentida, mas pode atingir os olhos diretamente ou ser refletida por superfícies como água, areia, concreto e neve. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a exposição excessiva está associada a problemas como fotoceratite, pterígio e catarata.

Por que o sol pode prejudicar os olhos?

Os olhos possuem mecanismos naturais de proteção, como as pálpebras, os cílios, as sobrancelhas e a contração das pupilas. No entanto, essas barreiras não são suficientes para impedir todos os efeitos da radiação UV, especialmente em situações de exposição prolongada ou diante de superfícies muito refletoras.

A radiação ultravioleta pode causar efeitos imediatos, como ardência, lacrimejamento, vermelhidão, sensibilidade à luz e sensação de areia nos olhos. Em exposições mais intensas, pode ocorrer a fotoceratite, uma espécie de queimadura da superfície da córnea. Os sintomas podem aparecer algum tempo depois do contato com o sol, e não necessariamente no mesmo momento.

Com o passar dos anos, a exposição acumulada também pode contribuir para alterações oculares. A Organização Mundial da Saúde relaciona a radiação UV ao desenvolvimento de catarata e pterígio, uma espécie de crescimento de tecido na parte branca do olho que pode avançar em direção à córnea.

Use óculos de sol com proteção contra raios UV

O principal cuidado é utilizar óculos de sol que ofereçam proteção comprovada contra os raios UVA e UVB. A Organização Mundial da Saúde recomenda modelos capazes de bloquear de 99% a 100% desses dois tipos de radiação.

A cor escura das lentes, sozinha, não garante proteção. Óculos muito escuros sem filtro ultravioleta podem reduzir a luminosidade e fazer com que a pupila fique mais dilatada, sem impedir adequadamente a entrada de radiação. Por isso, o consumidor deve verificar a informação de proteção UV e dar preferência a produtos adquiridos em estabelecimentos confiáveis.

Modelos que cobrem melhor as laterais do rosto ajudam a reduzir a entrada de luz pelas bordas. Óculos com formato envolvente, armação bem ajustada e lentes que acompanham o rosto são especialmente úteis para quem permanece muito tempo ao ar livre, pratica esportes ou trabalha exposto ao sol.

As lentes polarizadas podem diminuir o desconforto causado pelo reflexo da luz em água, areia, asfalto e outras superfícies. Porém, a polarização não substitui o filtro contra raios ultravioleta. O mais importante é confirmar se o produto oferece proteção UV adequada.

Combine os óculos com chapéu e sombra

Os óculos de sol devem ser usados como parte de um conjunto de medidas, e não como a única forma de proteção. Chapéus e bonés ajudam a reduzir a incidência direta da luz sobre o rosto e os olhos. Os modelos de aba larga oferecem cobertura maior do que bonés com aba curta.

Sempre que possível, procure permanecer na sombra, principalmente nos períodos em que a radiação solar costuma ser mais intensa. O Instituto Nacional de Câncer recomenda evitar a exposição sem proteção entre 10h e 16h, além do uso de chapéus, óculos escuros, roupas adequadas e filtro solar para a pele.

A sombra não elimina totalmente a radiação UV, sobretudo em locais próximos à água, à areia ou a superfícies claras. Por isso, mesmo em áreas cobertas, os óculos e o chapéu continuam sendo medidas úteis.

Proteja os olhos em dias nublados

As nuvens podem reduzir a sensação de calor e a luminosidade, mas não bloqueiam toda a radiação ultravioleta. Em determinadas condições, os raios UV continuam alcançando a superfície mesmo sem sol aparente.

Por esse motivo, a proteção ocular deve ser mantida durante atividades externas em dias parcialmente nublados ou com céu encoberto. O índice ultravioleta divulgado por serviços meteorológicos pode ajudar a identificar os dias em que os cuidados precisam ser reforçados.

Tenha atenção ao reflexo da água e da areia

Ambientes próximos a rios, lagos, praias, piscinas e áreas com areia podem aumentar o desconforto visual por causa do reflexo da luz. O mesmo pode ocorrer em locais com muito concreto, asfalto ou superfícies metálicas.

Nessas situações, o uso de óculos com proteção UV e boa cobertura lateral é ainda mais importante. Evite olhar diretamente para o sol, mesmo usando óculos escuros comuns. A observação direta pode provocar lesões graves na retina, estrutura responsável pela formação da imagem.

Crianças precisam de proteção especial

Crianças e adolescentes costumam passar mais tempo ao ar livre e podem receber uma quantidade significativa de radiação UV ao longo da vida. Por isso, os responsáveis devem estimular o uso de chapéu, óculos adequados e roupas que ofereçam cobertura durante passeios e brincadeiras externas.

Os óculos infantis precisam ser resistentes, confortáveis e bem ajustados ao rosto. O modelo não deve escorregar nem apertar as têmporas ou o nariz. Também é importante evitar produtos sem informação clara sobre a proteção contra raios UVA e UVB.

Bebês devem ser mantidos na sombra e protegidos da exposição direta ao sol. Em caso de dúvida sobre o uso de óculos, especialmente em crianças muito pequenas ou com alguma condição ocular, a orientação deve ser obtida com um oftalmologista.

Lentes de contato não substituem os óculos de sol

Algumas lentes de contato podem ter filtros específicos, mas elas não protegem toda a superfície dos olhos nem substituem os óculos de sol. As pálpebras, a conjuntiva e as laterais dos olhos continuam expostas à radiação.

Quem usa lentes de contato deve seguir as orientações de higiene, respeitar o tempo de uso indicado e evitar dormir com as lentes quando isso não for autorizado pelo profissional responsável. Em ambientes com vento, poeira, areia ou muita luz, os óculos podem oferecer uma proteção adicional e reduzir o desconforto.

Evite coçar os olhos e usar colírios por conta própria

Ardência e sensação de ressecamento após exposição ao sol podem levar a pessoa a coçar os olhos. Esse hábito pode aumentar a irritação e causar pequenas lesões, especialmente quando há poeira ou areia na superfície ocular.

Se houver desconforto leve, interrompa a exposição, vá para um local protegido e faça uma pausa com os olhos fechados. Compressas frias sobre as pálpebras fechadas podem aliviar a sensação de calor ou irritação. Não coloque substâncias caseiras nos olhos e não use colírios com antibiótico ou corticoide sem avaliação médica.

O Ministério da Saúde orienta evitar a automedicação e procurar atendimento especializado diante de sintomas oculares. Colírios inadequados podem mascarar sinais de doenças e, em alguns casos, agravar o problema.

Quais sintomas exigem avaliação oftalmológica?

Após exposição intensa ao sol, procure atendimento se surgirem dor forte, vermelhidão persistente, lacrimejamento intenso, sensibilidade acentuada à luz, sensação de corpo estranho, visão embaçada ou dificuldade para enxergar.

Também é necessário buscar avaliação rápida quando os sintomas atingirem apenas um olho, houver secreção, trauma, suspeita de corpo estranho ou piora progressiva da visão. O atendimento é especialmente importante para pessoas que usam lentes de contato, têm doenças oculares ou passaram por cirurgia nos olhos.

A fotoceratite pode causar dor e sensibilidade à luz algumas horas depois da exposição. A Academia Americana de Oftalmologia descreve ainda sintomas como lacrimejamento, redução da visão e sensação de corpo estranho. Diante desses sinais, não é recomendado esperar a evolução por conta própria.

Checklist para proteger os olhos do sol

  • Use óculos de sol com proteção comprovada contra 99% a 100% dos raios UVA e UVB.
  • Prefira modelos que cubram bem as laterais do rosto.
  • Combine os óculos com chapéu ou boné, de preferência de aba larga.
  • Procure sombra nos horários de maior radiação solar.
  • Redobre o cuidado perto de água, areia, concreto e outras superfícies refletoras.
  • Proteja crianças e adolescentes durante atividades externas.
  • Não olhe diretamente para o sol, mesmo usando óculos escuros.
  • Não use colírios ou receitas caseiras sem orientação profissional.
  • Procure um oftalmologista se houver dor, vermelhidão persistente ou alteração na visão.

Proteger os olhos da exposição ao sol é uma medida simples que combina prevenção imediata e cuidado ao longo da vida. O uso correto de óculos com filtro UV, associado à sombra, ao chapéu e à redução do tempo de exposição, ajuda a diminuir os riscos e preserva o conforto visual durante as atividades ao ar livre.