terça-feira, 3 de novembro de 2026
Durango Duarte

Livros do Instituto Durango Duarte cruzam ruas, jornais e instituições do Amazonas

O Instituto Durango Duarte transforma registros de jornais, documentos oficiais, fotografias e pesquisas em publicações sobre a história urbana, cultural, política e econômica de Manaus e do Amazonas.
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Inaugurado em 15 de abril de 2016, o Instituto Durango Duarte (IDD) reúne pesquisas sobre a história de Manaus e do Amazonas. A instituição preserva documentos, organiza informações de jornais e publica livros, artigos, fotografias, vídeos e outros materiais sobre a formação urbana, cultural, política e econômica da região.

O trabalho parte de registros capazes de mostrar tanto acontecimentos públicos quanto mudanças no cotidiano da capital. Notícias sobre inaugurações, conflitos, alterações na paisagem e episódios que marcaram diferentes gerações são incorporadas a pesquisas e publicações que buscam organizar a memória regional.

Do registro jornalístico à pesquisa histórica

No acervo reunido pelo instituto, a imprensa ocupa dupla função: é fonte para novas investigações e também objeto de estudo. A coleção 50 Anos Hoje, por exemplo, organiza por ano acontecimentos registrados nos jornais de Manaus.

O volume dedicado a 1970 reúne referências à explosão da caldeira da Santa Casa, à inauguração de praças e avenidas e ao centenário da Biblioteca Pública do Estado. A sequência de notícias permite observar, lado a lado, transformações urbanas, decisões públicas e episódios do cotidiano.

Outras obras se concentram em períodos de tensão na imprensa local. Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará abordam momentos de controvérsia na história dos jornais.

Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a investigação trata das disputas ocorridas em 1958 e 1959. Naquele período, a publicação oficial do Estado se tornou espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa.

Espaços urbanos que mudaram com o tempo

A paisagem de Manaus é outro eixo das pesquisas do IDD. Em Manaus, entre o passado e o presente, publicado em 2009, Durango Duarte reuniu informações históricas e fotografias sobre os espaços urbanos da capital. O trabalho serviu de base para pesquisas posteriores.

Três anos depois, o pesquisador lançou 343 Manaus, obra voltada à apresentação visual e turística da cidade. A investigação sobre os espaços públicos foi ampliada em Praças históricas de Manaus, de 2023, que acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo locais que desapareceram.

Ao recuperar a história desses espaços, o livro registra usos e configurações urbanas que já não podem ser observados diretamente nas ruas. A obra também amplia e revisa o capítulo dedicado às praças no livro publicado em 2009.

Os locais de convivência aparecem ainda em A Sétima Arte em Manaus, lançado em 2017. O livro acompanha a história das salas de cinema, a chegada de empresas exibidoras e a realização de festivais na capital.

A produção sobre cultura inclui também A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro.

Da economia da borracha à Zona Franca

O instituto também reúne obras sobre a formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a trajetória do ciclo da borracha e seus efeitos na história regional.

Já A Construção da Província do Amazonas, publicado em 2025, examina o período entre 1851 e 1859, depois da separação do Grão-Pará. A obra aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.

A implantação da Zona Franca é tratada em um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, a publicação contou com a participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa. O conteúdo acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Pesquisa ligada à trajetória de Durango Duarte

Parte da produção do IDD se relaciona à experiência do próprio pesquisador. Durango Duarte participou do movimento estudantil amazonense nos anos 1980, dirigiu centros acadêmicos e foi conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.

Esse período aparece em trabalhos sobre a mobilização estudantil, entre eles uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.

A associação sem fins lucrativos tem entre seus objetivos preservar o acervo, estimular a produção literária e promover o debate sobre questões regionais. Reuniões, palestras e cursos fazem parte das atividades, assim como o incentivo à elaboração de teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia.

Acervo reúne livros, jornais e documentos digitalizados

Segundo o instituto, a biblioteca particular reúne mais de oito mil obras. O conjunto inclui ainda diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais.

O acervo particular não está disponível para consulta no momento. O público pode acessar, no portal do IDD, os materiais que já foram publicados pela instituição.

Ao organizar documentos e transformar registros em livros, o Instituto Durango Duarte mantém reunidas informações sobre personagens, lugares e acontecimentos da história amazonense. As publicações procuram oferecer novas bases para a leitura da trajetória urbana, cultural, institucional e econômica da região.

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