Comissão da Câmara aprova projeto que determina identificação pública de locais de repressão política da ditadura

Comissão de Direitos Humanos aprova projeto que exige sinalização e memorialização dos locais de repressão política utilizados entre 1964 e 1985.

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou, em 16/06/2026 – 14:26, o Projeto de Lei 1156/21, de autoria da deputada Maria do Rosário (PT-RS), que atribui ao Estado a responsabilidade de identificar publicamente locais onde houve repressão política durante a ditadura civil-militar (1964-1985), por meio de placas e outros sinais, e de comunicar explicitamente as violações ocorridas.

O que prevê o projeto

O texto estabelece que a identificação deve indicar a violação de direitos humanos ocorrida e mencionar os nomes das vítimas, além de trazer dados estatísticos da repressão política com base no relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV). A instalação das placas e sinais deverá seguir normas técnicas definidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O relatório da CNV, apresentado em dezembro de 2014, constatou que 434 pessoas foram mortas ou desapareceram durante a ditadura, sendo 191 por execuções sumárias ou decorrentes de torturas, e identificou 377 agentes do Estado como autores das violações.

Indicação de novos locais e procedimentos

Além dos espaços já mapeados pela CNV, o projeto permite que novos locais de repressão sejam sugeridos por organizações da sociedade civil, pela Comissão da Anistia e por conselhos de direitos humanos. Para a inclusão de um novo local será necessária consulta a vítimas, familiares e pesquisadores.

Após a confirmação oficial de um local, a União terá o prazo de 120 dias para instalar a identificação. A medida prevê que o ato de instalação ocorra por meio de uma cerimônia pública, com ampla divulgação e convite pessoal aos sobreviventes e familiares ligados àquele espaço.

Posição da relatora e referências internacionais

A proposta foi aprovada por recomendação da relatora, deputada Luiza Erundina (PSol-SP). Erundina afirmou que a preservação física dos locais de violações atende a recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Corte Interamericana de Direitos Humanos e citou exemplos de preservação em outros países. “A criação de lugares de memória se orienta no sentido de romper com a lógica do silenciamento, com a valorização das vozes das vítimas e com a abertura para ações que não aceitem a hipótese de que as graves violações do passado voltem a se repetir”, justificou a relatora.

Tramitação

A matéria, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados. Luiza Erundina é a relatora da proposta.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Rachel Librelon

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Publicado em: 16/06/2026 às 13:26
Categoria(s): Política Nacional